Pular para o conteúdo principal

Vigília das Mães

Nossos filhos viajam pelos caminhos da vida,
pelas águas salgadas de muito longe,
pelas florestas que escondem os dias,
pelo céu, pelas cidades, por dentro do mundo escuro
de seus próprios silêncios.


Nossos filhos não mandam mensagens de onde se encontram.
Este vento que passa pode dar-lhes a morte.
A vaga pode levá-los para o reino do oceano.
Podem estar caindo em pedaços, como estrelas.
Podem estar sendo despedaçados em amor e lágrima.


Nossos filhos têm outro idioma, outros olhos, outra alma.
Não sabem ainda os caminhos de voltar, somente os de ir.
Eles vão para seus horizontes, sem memória ou saudade,
não querem prisão, atraso, adeuses:
deixam-se apenas gostar, apressados e inquietos.


Nossos filhos passaram por nós, mas não são nossos,
querem ir sozinhos, e não sabemos por onde andam.
Não sabemos quando morrem, quando riem,
são pássaros sem residência nem família
à superfície da vida.


Nós estamos aqui, nesta vigília inexplicável,
esperando o que não vem, o rosto que já não conhecemos.
Nossos filhos estão onde não vemos nem sabemos.
Nós somos as doloridas do mal que talvez não sofram,
mas suas alegrias não chegam nunca à solidão de que vivemos,
seu único presente abundante e sem fim.


Cecília Meireles

Filhote viajando, longe, tão longe de mim pela primeira vez.
É saudade que bate no peito...
Vivendo e aprendendo que somos apenas os arqueiros e eles, a flecha. (Kalil Gibran)




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Clareira

Seria tão bom, como já foi, As comadres se visitarem nos domingos. Os compadres fiquem na sala, cordiosos, Pitando e rapando a goela. Os meninos Farejando e mijando com os cachorros. Houve esta vida, ou inventei? Eu gosto de metafísica, só pra depois Pegar meu bastidor e bordar ponto de cruz, Falar as falas certas: a de Lurdes casou, A das Dores se forma, a vaca fez, aconteceu, As santas missões vêm aí, vigiai e orai Que a vida é breve. Agora que o destino do mundo pende do meu palpite, Quero um casal de compadres, molécula de sanidade, Pra eu sobreviver. Adélia Prado foto: http://senhoraaosul.blogspot.com/2010/09/estiagem.html

Para Você

Para você que sempre passa aqui, deixando suas palavras amáveis... Desejo a você...  Fruto do mato  Cheiro de jardim  Namoro no portão  Domingo sem chuva   Segunda sem mau humor     Sábado com seu amor  Ouvir uma palavra amável          Ter uma surpresa agradável     Noite de lua Cheia     Rever uma velha amizade           Ter fé em Deus ! Carlos Drummond de Andrade Obrigado por seu carinho e amizade Lila
NATAL A estrela que brilha além da noite e da neve Suspende hoje a intempérie no silêncio noturno Sobre o estábulo despencado Habitado por brilhos e sorrisos claros De um recém-nascido sem bandeiras nem Tambores Mas traz consigo primaveras, lenha e trigo, Cacho, alegria, milagres Espuma, serenidade e sonhos Para vocês, amados de Deus. Feliz Natal! (Frei Ignácio Larranãga - Circular nº 11/1998) Especialmente para Lilá(s)