Hoje estou melancólica e suspirosa como minha mãe, choveu muito, a água invadiu este porão de lembranças, boiam na enxurrada a caminho do rio. Deixo que naveguem, pois não as perderei. O rio é dentro de mim. Adélia Prado
Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim. Carlos Drummond de Andrade
O tempo passa? Não passa no abismo do coração lá dentro, perdura a graça do amor, florindo em canção. O tempo nos aproxima cada vez mais, nos reduz a um só verso e uma rima de mãos e olhos, na luz. O tempo é todo vestido de amor e tempo de amar. O meu tempo e o teu transcedem qualquer medida. Além do amor, não ha nada, amar é o sumo da vida. Pois só quem ama escutou o apelo da eternidade. Carlos Drum mond de Andrade
Falar é completamente fácil , quando se tem palavras em mente que se expresse sua opinião... Difícil é expressar por gestos e atitudes , o que realmente queremos dizer.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias... Difícil é encontrar e refletir sobre os seus próprios erros.
Fácil é fazer companhia a alguém, dizer o que ela deseja ouvir... Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer a verdade quando for preciso.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre a mesma...
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado...
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece.
Fácil é viver sem ter que se preocupar com o amanhã... Difícil é questionar e tentar melhorar suas atitudes impulsivas e as vezes impetuosas, a cada dia que passa.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar... Difícil é mentir para ...
Somos as palavras que moram dentro de nós.
E a gente ama é aquela pessoa que tem o poder de acordar as palavras bonitas, desaprendidas,
e que moram em algum lugar escuro, esquecido, do nosso ser...
(Rubem Alves)